domingo, 23 de junho de 2013

Memórias tardias

As tardes de domingo, quase sempre entediantes. 
Quase sempre perfeitas para um dormir. Ou para se voltar das viagens dos sonhos.
As tardes de domingo são perfeitas para se ouvir bons discos, como os do James Taylor. 
Para beber o vinho escondido no quarto dos pais, para se lembrar da infância. 
Dos almoços de domingo esticados, aqueles em família, com toda a família e isso quer dizer: Até com os tios chatos, os primos metidos e as cunhadas encrenqueiras. Da comida caseira das avós, que por mais simples que fossem, nunca eram simples. Sempre seriam mais especiais que qualquer menu de qualquer gourmet. Disso que tenho saudade.
Essas lembranças sempre retornam aos domingos. Depois do almoço. Quando a cidade parece calar. 
E os programas de auditório invadem a televisão com seus shows baratos. 
Eu prefiro os dias frios, os domingos cinzas, que por alguma razão sempre antecedem as segundas escaldantes. 
Domingo é dia de primo, não de amigo. É o dia em que meu irmão despeja seus milhares de brinquedos por todo o quarto e cria suas cidades, suas guerras. Põe seus heróis para trabalhar. 
Afinal os heróis de todos os dias estão tirando aquela soneca. Meu pai por exemplo, adora dormir na rede depois do almoço. Embaixo da rede está o jornal. Eu sempre gostei mais dos jornais aos domingos. São mais robustos, menos sérios. 
As tardes de domingo quase sempre são entediantes. Mas podem e certamente são únicas.
São mais familiares do que as tardes de quinta, ou as noites de sexta. Talvez eu não anseie por elas, como aguardo ansiosamente pelas noites de sábado, mas eu as amo.  



{Nota: Lembrei que eram nas tardes de sábado que o carro dos quitutes passava na minha casa. Era uma  Brasília amarela, sem bancos traseiros. Com bandejas de alumínio recheadas com bolos de fubá, tapioca e cocadas de coco. Biscoitos de sequilhos branquinhos, dos que se desfaziam na boca e um bolo de Aipim inigualável.}