sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Até que ele aconteça com você

Eu deixei a minha coleção de poemas num saco de pão,
pendurado na porta dos fundos da sua casa.
Eu precisei espantar toda a tristeza que me afligia,
então caminhei até a cachoeira onde a noiva abandonada deixara seu véu.
Ali perto fica aquela casinha de taipa, pintada de amarelo, onde nos beijamos pela primeira vez.
Querido, gravei um coração com nossos nomes numa goiabeira, porque goiaba é a fruta preferida dos anjos.
Parecia o paraíso. As flores nos escondiam, nos enfeitavam. E as borboletas gastavam suas vidas inteiras a nos olhar.
Nosso amor foi gostoso como tricô, como sorvete de baunilha e junto todas as coberturas do mundo.
Era livre, colorido como quando há um festival de pipas no céu do subúrbio.
"Mas agora é tarde demais para consertar o que foi quebrado."
Nossas palavras se desencontram, nossos abraços despedaçam-se.
Não há como voltar no tempo, nem como colar os cacos espalhados pelo chão.
Agora eu não sei. Não, eu não sei.
Mas você não acredita no amor, até que ele aconteça com você.





{Inspirado em toda a maestria de Corinne Bailey Rae.}

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