quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vistam-se de branco

Se eu partir em breve e meus dias não forem tão longos quanto o sol quero que me cubram com as flores das mais diversas cores. Quero que vistam trajes brancos, alvos com a neve, e cantem junto com os anjos. Quero que pensem em mim quando o sol se puser. Pois de todos os momentos da vida, os pores-do-sol são os que mais me pertencem. Durante eles eu me entrego para a vida, ou a morte. Peço que se tiverem de derramar lágrimas, que o façam no mar. Pois de algum lugar eu as colherei. Peço que dancem na chuva, pois esta será minha resposta. Desse modo saberão que eu também sinto falta de vocês. Se eu partir, tenham certeza de que sonhei o que muitos não sonharam em uma vida de cem anos. Saibam que viajei por muitos lugares, conheci pessoas incríveis – no sentido literal da palavra, fui amante de muitos amigos, amigo de muitos amores. Tenham certeza de que amei incessantemente, que os desejei com toda minha alma de criança. Por favor, experimentem andar descalços, sintam a energia do solo, gastem horas olhando o céu, contemplem as estrelas e se me for permitido eu os presentearei com sonhos tranquilos. Prometam-me que aprenderam coisas novas, se desafiarão. Se eu morrer jovem, serei a liberdade nas asas de um pássaro. Serei o cobertor de muitos durante a noite. E o arco-íris será o rastro de minhas novas vestes. Quando eu partir mantenham-se atentos ao som da brisa, serei eu, entoando a eterna canção de amor que compus para vós. Reúnam-se para tomarem café durante a tarde e lembre-se do meu sorriso torto, mas sincero, das minhas histórias exageradas, do meu colo e do meu macarrão. Vistam-se com vestes brancas, recomecem a cada dia, vivam ferozes. Por mim, por nós.

2 comentários:

  1. em resposta às tuas lindas-melancólicas-intensas palavras, não tenho outras que digam. só agradecer por compartilhar tudo isso.
    mas Emanuel já canta esse domingo por mim, por nós.

    "O sol nas bancas de revista
    Me enche de alegria e preguiça
    Quem lê tanta notícia
    Eu vou...

    Por entre fotos e nomes
    Os olhos cheios de cores
    O peito cheio de amores vãos
    Eu vou
    Por que não, por que não...

    ...

    Sem lenço, sem documento
    Nada no bolso ou nas mãos
    Eu quero seguir vivendo, amor
    Eu vou...

    Por que não, por que não...

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  2. daqueles textos que falam sobre a confusão profunda guardada dentro da gente.

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