O menino é filho de
pescador, faz do mar seu cobertor.
Eu, menino mulher, passo os dias
sem bússola, acumulador.
Desinibida,
gosto de deitar nos ombros de amigos.
Gosto de sentir seus corpos perfumarem
minha alma.
No escuro, escondido, eu sorri, eles também.
O menino tem meu nome,
mas difere de mim.
Parece ser livre, se livre for o beija-flor, como um.
Comem
três, esplêndido curió. Pau duro, tem platéia.
Gosto de saber que os quero por
perto e os quero bem.
Até meu bem, que tem meu amor e também minha implicância.
Gosto quando goza em mim, gosto da silhueta quando cigarros penduram-se nos
dedos.
Extrovertido, também derramo minhas lágrimas e frustrações quando sou
tomado por tédio.
Gosto do menino, pois em nossas diferenças me reconheço. Não
vou me perder por aí.
E pedi perdão, perdi. Me perco pelas ruas de histórias,
pelos sonhos que não me pertencem, por onde me defino, naquilo em que acredito.
Se me achar, a graça se perde. Se achar-me devolva-me.
Subimos dez andares de
escadas, estamos deitamos no chão de madeira.
Minhas pernas estão sob o corpo
da mais bela, meus braços envolvem a mais graciosa, meus lábios sorriem para os
peitos da que mais me faz sorrir, só tenho olhos para o mais bondoso, penso naquele
com quem mais divido minhas cores. Gosto da textura de sua pele, do fogo em teu
olhar.
A cidade está apagada, destruída. Escrevi sinceridades na sujeira da
janela.
Colhi pérolas e pêssegos. O Nanquim é feito dos caroços do pêssego.
Ilustrei tua libido em toda pele que
encontrei, rabisquei a todos que me cercavam.
Gosto da textura de sua pele, do
fogo em teu olhar.
Os noticiários vomitam assassinatos, e isso me faz mal, me
faz temer.
Mas quando estou com vocês me sinto imortal. Quando estou em nós sou
eterno.
Desinibida - entregue a ti, a vós, pequenos faróis, cercada de mares,
de males, de traumas e complexos, mas brilhantes - faz aqui teu casarão, em
árvore firme, arraigada e frutífera, João de Barro.
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