domingo, 16 de fevereiro de 2014

passarei

O menino é filho de pescador, faz do mar seu cobertor.                                                             
Eu, menino mulher, passo os dias sem bússola, acumulador.  
Desinibida, gosto de deitar nos ombros de amigos. 
Gosto de sentir seus corpos perfumarem minha alma. 
No escuro, escondido, eu sorri, eles também. 
O menino tem meu nome, mas difere de mim. 
Parece ser livre, se livre for o beija-flor, como um. 
Comem três, esplêndido curió. Pau duro, tem platéia. 
Gosto de saber que os quero por perto e os quero bem. 
Até meu bem, que tem meu amor e também minha implicância. 
Gosto quando goza em mim, gosto da silhueta quando cigarros penduram-se nos dedos. 
Extrovertido, também derramo minhas lágrimas e frustrações quando sou tomado por tédio. 
Gosto do menino, pois em nossas diferenças me reconheço. Não vou me perder por aí. 
E pedi perdão, perdi. Me perco pelas ruas de histórias, pelos sonhos que não me pertencem, por onde me defino, naquilo em que acredito. 
Se me achar, a graça se perde. Se achar-me devolva-me. 
Subimos dez andares de escadas, estamos deitamos no chão de madeira. 
Minhas pernas estão sob o corpo da mais bela, meus braços envolvem a mais graciosa, meus lábios sorriem para os peitos da que mais me faz sorrir, só tenho olhos para o mais bondoso, penso naquele com quem mais divido minhas cores. Gosto da textura de sua pele, do fogo em teu olhar. 
A cidade está apagada, destruída. Escrevi sinceridades na sujeira da janela. 
Colhi pérolas e pêssegos. O Nanquim é feito dos caroços do pêssego. 
Ilustrei tua libido em toda pele que encontrei, rabisquei a todos que me cercavam. 
Gosto da textura de sua pele, do fogo em teu olhar. 
Os noticiários vomitam assassinatos, e isso me faz mal, me faz temer. 
Mas quando estou com vocês me sinto imortal. Quando estou em nós sou eterno. 
Desinibida - entregue a ti, a vós, pequenos faróis, cercada de mares, de males, de traumas e complexos, mas brilhantes - faz aqui teu casarão, em árvore firme, arraigada e frutífera, João de Barro.

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