segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ruas das Flores, 9 de janeiro, Olaria.

Espero cartas vindas de todos os cantos do mundo, com selos de todos os tipos e cores. Seladas com beijos de despedida e desejos de reencontros. Cartas que se desenrolem pelas longas avenidas ensinando à cidade a amar. Cartas sinceras, cheias de confissões e palavras proibidas. Esconderijo de história secretas e abrigo das tristezas. Papel marcado com lágrimas e que tragam em seu corpo o cheiro do remetente. Rabiscos de manhãs, cúmulos de domingos. Companheiras dos que estiveram sós, ombro para os que choraram. Notícias da minha vó, e dos primos que não conheci, mas sei que existem, e estão espalhados pela terra. Retratos de seres mutantes, de homens arrependidos e dos que carregam no peito a fúria do viver. Mágoas desfeitas pela escrita, perdões liberados no papel. Cartas atemporais, escritas em dias de vendaval, frio e melancolia. Textos utópicos, poesias concretas e marginais. Relatos de romances e guerras, feitos em garranchos ou códigos. Espero suas poses e poesias. Resenhas dos filmes com os quais você faria amor, roteiros das suas viagens e dos curtas filmados em sua mente. Bilhetes e lembretes, avisos de elevador. À direção. Rosa dos ventos. Que tragam boas notícias. Eu caminho, por enquanto pelo Brasil. Sem orientação. Estrela D'alva, o céu mais lindo. Retratos escolares, mapas múndi. Polaroides perdidas. Cartas de um amor que eu ainda espero, o qual tenho esperança de viver eterno. Daí, aqui e pra lá. Vestígios de frases. Impressões digitais. Páginas arrancadas de um livro. Um trecho de uma manifesto. Espero milhões nas ruas, mudando, girando a roda, roda gigante. E o pião? Nunca aprendi a girar, mas sei pedalar, desse jeito eu voo. Vou onde o X está, resolver essas questões, ganhar novas interrogações. Cartas sem pontuação, pois a euforia nos faz engolir as vírgulas. Eu li sentimento. Senti sua mente numa exclamação. Porra! E as receitas da tua família, me conta esse mistério, quanto de fermento tem que ter, pra ser alguém grande, pra fazer caber tanta gente, todo mundo no peito. Espero tua pintura, teus inventários de tipos humanos. Seu discos e seu refrão preferido. Aquele que cantamos a semana inteira, sem saber. Eu sou de Salvador, de salvador, de suas ideias. Quero cartas de dois gumes. Cheias de xodó, e a música do Xororó, sobre o amor do amante. Cartas com bulas, balas, cartas perdidas. Note a proximidade com os pássaros em versos. Note e anote. Grife, com piloto néon. Faça margens com giz de cera, no estilo papiro. Me diga que a vida é um moinho, declame em francês que o mundo é bão. Não rasgue os rascunhos. Não amasse seus erros, transforme-os em acertos, faço-os origamis. E me envie.

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