sábado, 26 de outubro de 2013

Parte IV

Para os amados e amantes.
Para aqueles que dariam sua vida por amor, e todos aqueles que tiveram suas vidas tiradas por ele.
Os pulsos marcados, os quartos inundados por lágrimas, sangue e melancolia.
A sala vazia, o peito apertado.
Para aqueles que mataram por amor.
As fotografias queimadas, a lâmina da tesoura separa o mundo em dois.
Guerra fria.
Não há como subir a montanha, a neve tomou as pistas.
Só há escuridão.
Para os que estão no banheiro, insanos, perdidos.
Lhes deixei versos meus.
Para os que se deixaram levar pela maré, mergulharam profundamente.
E os que se entregaram ao fogo.
Os jornais continuam noticiando tragédias. Desliguem a televisão.
Para todos os que estão nas esquinas, nos quartos de hotel, envoltos em lençóis.
Há os que venderam suas almas, os solitários nos bordéis.
Os covardes e corajosos.
Para os que foram proibidos de amar, e não encontraram o sentido da vida.
Existem os revolucionários.
Para os desprezados que pedem doses e mais doses.
Amy, eu sempre te amarei.
Para os que foram comprar cigarros e nunca retornaram.
Existem os que esperarão eternamente.

Na periferia da cidade, onde quase não existem residências, apenas galpões de empresas.
No breu daquelas ruas, onde só se escuta a voz da consciência e o medo flui pelas veias,
havia um prédio de esquina todo feito de tijolos, parecia abandonado há poucos anos.
Numa das paredes laterais estava escrito com tinta vermelha uma frase de Lolita,
Butrus tinha deixado o endereço desse lugar num bilhete fixado a minha agenda.
Quando ele apareceu com os bolsos do blazer cheios de flores silvestres e tendo como melhor acessório seu sorriso senti paz, loucura e desejo.
Ele era brilho, e iluminava todo o subúrbio.
Would you be mine, would you be my baby tonight era o que estava escrito na lateral,
as suas mãos pintavam meu corpo de vermelho, minha alma estava entregue.
Sob as estrelas nada pareceu real.

Parte III

Quarta é dia de feira, é dia de tédio. Eu acordei sem graça, sem salto, sem saco.
A cama fria, arrumada. O sol invade o quarto.
Aqueço a voz, peço um pouco de pó de café à vizinha enquanto a água ferve.
Abro um livro de poemas, Quintana, leio uma estrofe e procuro guardar na memória.
Noto as lágrimas secas e corro para a pia. Encaro o espelho, beijo meus lábios.
Café. Elevador. Feira.

Amo a barraca de melancias, tem amostra grátis. Compro laranja, peço alho pro menino no carro de mão. Odeio as barracas de peixe. Não sei tratar peixe, nem carne alguma. Eu deveria ter virado vegetariano. A feira é linda. É feita de cor, textura e sabor. Tem gente da roça e do interior.
É um dos poucos lugares na cidade onde consigo fugir do computador. No meio da feira alguém me olhou Enquanto caminho percebo um olhar. 
Era alguém de olhar sincero, foi a primeira coisa em que pensei. Seus cabelos eram longos, cobriam parte do rosto. Mas eu o via de forma clara. Nossos olhares eram reais, eu pensei. Ele estava com um pulôver rosa de âncoras azuis, bermuda e chinelos.

Nos encontramos na barraca de batatas, eu sorri pela primeira vez naquele dia.
O nome dele é Butrus. Eu não me contive, fiz a piada “Até tu, Brutus!”. E ele pareceu achar graça.
Eu disse que sabia fazer um purê de batatas dos deuses – como se purê fosse a coisa mais difícil do mundo. Ele se ofereceu para provar.
Foi a primeira vez que eu levei um desconhecido para minha casa durante o dia, também foi a primeira vez que eu fazia isso consciente.  O estranho era ter a impressão de que eu o conhecia há anos.

Enquanto eu cozinhava as batatas e pensava em algo mais impressionável para o almoço,
Butrus pegou o violão e tocou sua primeira música triste.
“I was unafraid, I was a boy, I was a tender age
Melic in the naked, knew a lake and drew the lofts for Page...”
Eu chorei e pus a culpa nas cebolas já cortadas.

Passamos a tarde nos achando, dividindo memórias, nos entregando.   
Ele me entregou uma foto de Polaroid. Eu estava com um panamá e uma camisa floral. Eu podia me lembrar do dia em que fui capturado, mas não achava possível ter sido fotografado. Butrus me contou do seu hábito de registrar os rostos que o atraiam. Eu contei da minha mania de desenhar rostos na parede. Ele pediu para me ver desenhar. Eu o escolhi como tela.
Pintei seus lábios de carmesim, os meus serviram de pincel. Naquela tarde fomos arte e artista.

A noite não tem lua. Breu!
O calmo bairro de Laranjeiras escuta atento os lamentos e murmúrios de Margô.
- Ridículo! Babaca! Filho da puta!
Mais cedo ela havia flagrado seu namorado – um rapaz latino-americano de vinte e poucos anos, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Uma cópia meio ridícula do Belchior. – transando com a menina com quem dividia o apartamento. 
Margô não disse um pio sequer. Pegou seus discos, jogou algumas roupas na mochila e disse que voltaria outro dia pra pegar o resto das coisas. Um maço de cigarros depois, ela só não conseguia entender o porquê de sua raiva, se no fundo ela sabia que não amava o garoto.
Ele era pouco mais que um consolo. Mas ainda assim ela sentia-se terrivelmente traída.
Margô já sabia para onde ir. Mas antes precisava parar em algum boteco, beber umas doses de Johnny Walker e não deixar o acontecimento passar em vão.
Ela deixou o bar junto com a noite. Passou na padaria e pra não chegar ao seu destino com as mãos vazias tratou de comprar croissants e alguns biscoitos.

A campainha tocou cedo e por sorte eu já estava de pé.
Quando abri a porta me assustei, Margô não aparecia na minha casa há meses, e a única certeza que eu tinha era da não sobriedade dela.  Sentei-a no sofá e logo tratei de preparar o café – eu tinha feito mercado no dia anterior, então tudo bem receber visitas. Da sala ela gargalhava suas desgraças amorosas, e reclamava do mal estar que dá quando se mistura whisky com cerveja. Ela pediu pra ficar uns dias comigo, eu adorei a ideia! Pensei em arrumar minha cama, mas ela já havia pegado no sono ali mesmo, no sofá de bolinhas azuis. Deitou em cima da sacola com os croissants, eu não resisti e peguei um dos menos amassados.

Margô chegou num dos dias mais quentes do ano. Ela passara o dia inteiro dormindo, e mesmo com a maquiagem pesada, com os rastros pretos das lágrimas, ela parecia a criatura mais angelical, mais sublime do mundo. Naquele instante eu a amei como uma irmã.
Tropecei em sua bicicleta quando sai de casa e na volta trouxe rosas novas para presenteá-la. 

Cadeira de balanço, cinzas no chão da varanda, já era noite e a lua surgia tímida.
Ela veio até mim, com os cabelos mais curtos, mais negros – o banho havia lhe feito bem, seu rosto estava vívido – quase nua.  Selou seus lábios nos meus, foi como dizer obrigado. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Parte II

Alice bailava sobre o palco. Meus olhos a contemplavam enquanto minh'alma enxergava-a celeste, cantando para os deuses. Vestida de branco, sangue nos lábios. Eu a devoraria.
Aquela pele branca que escondia aquele universo de possibilidades, aquelas mil faces. Um personagem por dia, uma nova Alice a cada novo dia. Eu as devoraria.
Eu comparo pessoas com planetas e constelações. Conheço alguns Vênus, certos Martes.
Alice é um sistema solar inteiro.
Por mais excitante que isso possa parecer conviver com uma pessoa assim é confuso, estressante e desafiador.
É como um distúrbio tripolar. Ela são, elas é tanta coisa.
Onde está o limite entre o sonho, a realidade e a atuação?
Ela sonhava em ter uma história como a de Lily Braun.
Ela interpretaria Yerma numa montagem de Federico García Lorca feita por uma companhia teatral lá de Joinville.
Mas para mim ela era uma menina ingênua, com o olhar perdido, um par de peitos geometricamente perfeito e o caminhar mais encantador do mundo.
Eu a amei todos os dias. Todos os dias em que a reconheci.
Todos os momentos em que a encontrei em seu olhar.
Estávamos sem um tostão no bolso, o aluguel estava quase vencendo e não conseguíamos um emprego que pagasse dignamente e contemplasse nosso estilo de vida em lugar nenhum.
Passamos dias e noites trancados em casa, nos alimentando de luz, música e sexo.
Éramos como canibais, um comia o outro. Eu adorava me deliciar com pedaços de sua coxa, macia, cheia de carne. Ela mordia minha bunda, bebia minhas carícias, se satisfazia com meus passos de dança, com minhas palavras lançadas em tua boca.
Por sorte nós dois conseguímos um bico num festival de cinema francês que iria rolar na cidade.
Foram duas semanas assistindo quase todos os filmes que foram produzidos pelos franceses naquele ano.
Foram tantos filmes, tantas histórias diferentes. Closes, cortes, panorâmicas. Dramas, comédias, e Alice absorvendo tudo o que via. Um dia nós vimos A vida de Adele e no outro Alice pintara seus belos cachos dourados de azul, azul anil. Ele ainda parecia celeste, mas estava mais feroz, mais animal.
E mesmo com dinheiro no bolso ela queria se alimentar de mim.
E eu a alimentei enquanto era comédia romântica, com seus closes, sendo drama.
Os dias se seguiram, eu escrevia compulsivamente, as agendas estavam lotadas de notas, poemas e pequenos versos. Eu estava certo de que conseguiria ser aprovado num primeiro edital de incentivo à cultura. Alice estava fazendo testes para a montagem de Yerna e quando o resultado veio foi mágico.
Ela estava tão empolgado, eu estava tão orgulhoso.
Foi a primeira vez em que o olhar dela não parecia perdido.

Alice era minha amada e bailava sobre o palco. Vestida de sangue, lábios pálidos.
Ela estava em minhas agendas, pois era minha inspiração. Eu a desejara.

Alice estava em meus poemas.
"Como num romance..."
Nós havíamos assistido tantos filmes, eu a devorara.
"Como no cinema..."
Eu não havia mandado flores, mas plantamos feijões em potes de margarina.
Alice era Lily Braun.

Os dias se passavam e ela estava imersa no universo criado por García Lorca.
Ela me tomava como Juan e ensaiávamos por noites inteiras.
Alice queria ser Yerma, e a ideia principal do espetáculo é como uma mulher se casa com o homem errado e por ele tem que sofrer durante toda a sua vida.
Primeiro vieram as romarias, os ritos e canções. Havia dinheiro, mas estávamos famintos. Em minhas agendas as páginas de outubro foram ficando vazias. Alice se tornara humana e seu olhar parecia mais certo e ciente do que nunca.
A data de estréia se aproximava, e as discussões tornavam-se frequentes. Rotineiras.
Minha menina agora era uma mulher fatal. Emocionalmente desequilibrada. Vestia-se de vermelho, usava decotes mais profundos, expondo seu peitos belíssimos. Era o touro e o toureiro. Um vulcão em erupção.
Acordamos numa manhã de quinta, era o dia da estréia. Quando os meus olhos se abriram logo depararam-se com os de Alice, e os dela pareciam totalmente determinados e convencidos do que fariam.
Ao me encarar no espelho notei um olhar distante. Eu avistei o batom alaranjado próximo as escovas de dente. Escrevi um verso no azulejo.
- Merda.
Alice bailava no palco.
Entrei no camarim, deixei o buquet de rosas vermelhas em cima da bancada.
Sai pela noite, sem luz, sem rumo. Entrei em um bar qualquer e pedi uma dose de whisky. Havia uma mulher curiosa ao meu lado, uma espécie de Amy Winehouse, ela me acompanhou no pedido.

Quanto a Alice, ela não era mais Lily Braun.

Nunca mais romance, nunca mais cinema, escrito em batom.



Parte I

Alice era o tipo de garota que brilhava, era como um anjo, seus cachos tomavam as ruas, o sol invejava suas cores quentes, seu ar juvenil. Era como um tarde de primavera, vestida de flores, cheia de tons. Os dois irmãos brigavam pela melhor visão de Alice. O mar se agitava toda vez que a brisa espalhava seu perfume pelo Leblon. A menina beirava os seus vinte anos, mais carioca que nunca. Era pura bossa. Jobim a idolatraria, junto com Vinicius a imortalizaria em uma canção.

 Margô não gostava do bom-senso, nunca ligou pra etiqueta, sempre aplaudiu a rebeldia. Parava em qualquer bar que lhe servisse um bom whisky. Seus melhores amigos eram os discos dos Sex Pistols. Ela tinha uma tara por bolinhas de sabão, e havia enfeitado sua bicicleta com rosas vermelhas. Margarida mudou seu nome, não tem telefone e ainda aperta a campainha dos vizinhos. Tornou-se Margô, que detestava o calor infernal do Rio, não costumava ir à praia e nem sabia sambar. Cortara seu cabelo com uma navalha no dia em que fora traída, o pintou de preto, fez sua primeira tatuagem – o mapa-múndi na coxa, e pôs um piercing no mamilo. Suas unhas esmaltadas eram vermelhas como seus lábios. Seus olhos castanhos, seu pijama era verde, com babados.

Butrus chorava pelos cantos, cantava no chuveiro, filmava a cidade, é provável que ele tenha fotografado teu sorriso distraído, pois essa é uma das muitas manias que ela possui. Butrus é apaixonado por gente. Eu me apaixonei por ele desde o primeiro instante. Os cachos castanhos que cobrem os ombros, e se deixam levar pelo vento. Sua cor de bronze, seu olhar sorridente. Ele é o tipo de mistura improvável que deu certo. Seu pai é um francês, professor de história e apaixonado pela cultura oriental, sua mãe é uma libanesa que deixou sua família em busca da liberdade e de um amor que não fosse escolha do pai. Butrus herdou dos pais a inteligência e a sede por liberdade, mas uma beleza única. Ele era o homem dos meus livros. Estava sempre vestido com camisetas listradas, bermudas coloridas e chinelos – ele detestava relógios e sapatos, pois acreditava que de alguma forma existiam para aprisionar. Em casa passava a maior parte do tempo sem roupa, sentado na janela, fumando um baseado ou lendo um livro. Amava os CDs do Bom Iver e era apaixonado pelo Justin Vernon, que o havia convertido ao time dos barbudos. Ele costumava tocar uma canção triste antes de dormir, era sempre madrugada. Ele passava as noites vendo filmes antigos e pintando os rostos de quem havia chamado sua atenção durante o dia. Butrus fazia amor na sala onde revelava suas fotos, beijava mulheres e homens. Tatuara O Beijo de Klimt em sua costela direita e no pulso esquerdo o nome de uma flor. Butrus era apaixonado pela vida. E desfrutara da mesma da forma mais intensa possível. Eu não me esquecerei daquele sorriso malicioso, do olhar inocente. Das palavras doces que desenhavam Butrus. No seu pulso direito havia pulseiras do Senhor do Bonfim, três, presente dos seus melhores amigos.

 Uma cortina de renda, deixo a luz entrar, padrões solares tatuados na pele. Dias felizes estão aqui outra vez. Janelas embaçadas, nomes escritos no vidro. A cidade dorme. Chove. Amanhece. A cama está desforrada. A balança quebrou, estou acima do peso. O ventilador faz um barulho insuportável, e não ameniza o calor. Um ovo a menos para fritar, eu deveria estar feliz. Os letreiros de neon já estão desligados. Por mim eles brilhariam a vida toda. Um dia eles escreveram meu nome. Um dia a cidade clamará por mim.
 
“Eu não me esquecerei daquele sorriso malicioso, do olhar inocente.” 

 Eu canto coisas que nunca vivi, por isso escrevo em agendas. Eu crio compromissos. Eu vivo coisas que já cantei. Minhas letras são o que me mantém vivo. Eu não sei mais o que é real. Talvez o meu passado seja, por isso, começarei por ele. Se me acharem, lembrem-me quem sou.

Eu me perdi, e me perco todos os dias, quando descubro que sou humano. Quando meus ossos doem, quando a carne intercede ao espírito, clama a calma das noites bem dormidas e de uma vida saudável. O espírito adoece por amor a carne? Não. Ele voa, livre, samba e se embebeda dos sorrisos boêmios, dos beijos amigáveis. A carne é humana, o espírito é ser.
Eu me perco quando teus olhos fogem dos meus, e eu não me sinto amado.
E é compreensível se perder quando não se encontra um abrigo durante a chuva, nem os teus ombros largos se colocam às minhas lágrimas. Eu me perco quando uma ditadura reprime cus e culturas, brilhos e estrelas.

"E eu a falar de estrelas, mar, amor e luar."

Eu me encontro.
Me encontro em tua voz e violão quando cê toca Esquadros e canta mais forte na parte do "divertindo gente e chorando ao telefone", eu me encontro porque sei que pensas em mim.
É fácil me achar na melancolia colorida de Frida Kahlo, e nos meus abraços partidos.
Eu escrevo notas com batom alaranjado nos azulejos do banheiro. Eu escrevo nomes, números de telefone, o dia em que o gás foi comprado e declarações falsas para amores forjados.
Eu sempre fui um menino solitário. Eu disse que falaria do meu passado, mas essa é uma viagem inesperada para mim.
Numa cidadela qualquer, um lugar sem importância para quem é importante. Onde as pessoas ainda acreditam em anjos e demônios, valorizam as  tradições mais conservadoras, e fofocam por toda uma noite sentadas nas portas de casa. Onde todos sabem de todos, e todos têm seus grandes segredos. Neste lugar, onde ainda existem casas de taipa, e casas de farinhas. Casas de santo e casas de oração, casas de prostituição e casas em construção, onde meninos e meninas perdem sua inocência todos os dias.
Eles se vendem por um real, ou a moeda é como um memorial triste e humilhante do dia em que foram tocados.
Lá meninos não vestem rosa, não brincam em brinquedos cor-de-rosa.
Lá havia um menino solitário. Ele foi seduzido pelas luzes, pelos letreiros luminosos, que um dia ainda escreveriam seu nome nas fachadas dos teatros.
O menino gostava de rosa. E na terra onde todos eram santos isso parecia muito errado.

Eu ainda sou um menino solitário. Aquele que reuniu seu pertences numa trouxa e saiu pelas noites, sem rumo, sem arrependimentos. As luzes me atraíram. As luzes pertencem a cidade.

Eu seria o sol. Quente, símbolo de vida.
Eu roubaria o sol. Alguém disse que o sol irá morrer.
E imagino o quão grandioso será o último adeus do sol, por que suas idas diárias já são espetaculares.
Eu ainda me lembro da vista do pôr-do-sol que eu tinha da porta dos fundos de casa.
Era lindo, glorioso. Como eu queria ser.
O sol é a maior referência de luz que eu já tive.

A luz invade a sala, ilumina um pedaço do papel de parede floral já desbotado.
Eu ando pelo mundo. Sou atraído pela luz, desta vez ela se reflete em seus olhos.