Para aqueles que dariam sua vida por amor, e todos aqueles que tiveram suas vidas tiradas por ele.
Os pulsos marcados, os quartos inundados por lágrimas, sangue e melancolia.
A sala vazia, o peito apertado.
Para aqueles que mataram por amor.
As fotografias queimadas, a lâmina da tesoura separa o mundo em dois.
Guerra fria.
Não há como subir a montanha, a neve tomou as pistas.
Só há escuridão.
Para os que estão no banheiro, insanos, perdidos.
Lhes deixei versos meus.
Para os que se deixaram levar pela maré, mergulharam profundamente.
E os que se entregaram ao fogo.
Os jornais continuam noticiando tragédias. Desliguem a televisão.
Para todos os que estão nas esquinas, nos quartos de hotel, envoltos em lençóis.
Há os que venderam suas almas, os solitários nos bordéis.
Os covardes e corajosos.
Para os que foram proibidos de amar, e não encontraram o sentido da vida.
Existem os revolucionários.
Para os desprezados que pedem doses e mais doses.
Amy, eu sempre te amarei.
Para os que foram comprar cigarros e nunca retornaram.
Existem os que esperarão eternamente.
Na periferia da cidade, onde quase não existem residências, apenas galpões de empresas.
No breu daquelas ruas, onde só se escuta a voz da consciência e o medo flui pelas veias,
havia um prédio de esquina todo feito de tijolos, parecia abandonado há poucos anos.
Numa das paredes laterais estava escrito com tinta vermelha uma frase de Lolita,
Butrus tinha deixado o endereço desse lugar num bilhete fixado a minha agenda.
Quando ele apareceu com os bolsos do blazer cheios de flores silvestres e tendo como melhor acessório seu sorriso senti paz, loucura e desejo.
Ele era brilho, e iluminava todo o subúrbio.
Would you be mine, would you be my baby tonight era o que estava escrito na lateral,
as suas mãos pintavam meu corpo de vermelho, minha alma estava entregue.
Sob as estrelas nada pareceu real.
Nenhum comentário:
Postar um comentário