terça-feira, 14 de maio de 2013

Étreinte

ÉTREINTE PABLO PICASSO


Teu calor transgredia minha alma, gélida, fragilizada com os terrores daqui. 
Seus braços curtos esforçavam-se para envolver-me, e quando o faziam me traziam a vida.
Os lábios viajavam por meus seios, aportavam nos meus. Os lençóis nos vestiam como deuses.
Nossos corpos se despiam, profanos. Meu amor transbordava pela cama, tornava-se áurea. 
Teu signo feria-me o ego. Punha-me em lugar de presa. 
É verdade que o amor é uma guerra, ambos se ferem, ambos se doam. 
Mas estive certo que aquela cama seria cenário de um massacre. 
Onde todos os eus inventados por mim, seriam deixados. Envenenados. 
Pela verdade que saltava de teus olhos. Pelo fervor de tuas mãos.
Dobrei meus joelhos, como quem rendido. 
Entreguei-me a tua dança, ciente da morte.
Crendo que a contradição do amor me elevaria ao êxtase da vida.
Ou de uma noite qualquer.  



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