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| ÉTREINTE PABLO PICASSO |
Teu calor transgredia minha alma, gélida, fragilizada com os
terrores daqui.
Seus braços curtos esforçavam-se para envolver-me, e quando o
faziam me traziam a vida.
Os lábios viajavam por meus seios, aportavam nos meus. Os lençóis
nos vestiam como deuses.
Nossos corpos se despiam, profanos. Meu amor transbordava pela
cama, tornava-se áurea.
Teu signo feria-me o ego. Punha-me em lugar de presa.
É verdade que o amor é uma guerra, ambos se ferem, ambos se
doam.
Mas estive certo que aquela cama seria cenário de um
massacre.
Onde todos os eus inventados por mim, seriam deixados.
Envenenados.
Pela verdade que saltava de teus olhos. Pelo fervor de tuas mãos.
Dobrei meus joelhos, como quem rendido.
Entreguei-me a tua dança, ciente da morte.
Crendo que a contradição do amor me elevaria ao êxtase da vida.
Ou de uma noite qualquer.

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