Nesses últimos dias tenho refletido muito sobre o papel da igreja cristã na sociedade.
E o que me atenta são fatos ocorridos dentro do universo cristão, ou dessa rotina. E dos desdobramentos disso na relação com outros grupos.
Dentro de algumas igrejas temos visto ditaduras cada vez mais frequentes. Ditaduras de líderes e pastores, que se apegam em textos isolados da bíblia, defendendo uma soberania das ideias e atitudes pastorais. Aliás é cada vez mais comum vermos pessoas apegadas a fragmentos bíblicos, que quase sempre calham em seus próprios interesses.
Nasci num lar cristão, cercado de ensinamentos bíblicos e da valorização do cumprimento das leis de Deus. Tendo a palavra de Deus como guia de vida. Vivendo a suficiência das escrituras.
Ao crescer me deparei com um cenário averso aos principais mandamentos bíblicos. Um ambiente dotado de hipocrisia, ira e julgamentos. Isso despertou em mim repulsa de tais condutas e afastamento da religião, e também o rompimento de um relacionamento com Deus.
Um fato que também contribuiu para isso é e foi minha orientação sexual. Sou homossexual, portanto sou alvo das principais críticas e ofensas evangélicas.
Nesse tempo distante tive contato com pessoas de outras religiões, estudei algumas outras e o que mais me chamou a atenção foram as semelhanças das colunas que sustentavam essas religiões.
Em todas elas o amor cumpre papel de destaque.
Pois então, nossa sociedade capitalista que só, incentivadora da competição, semeadora da individualidade e que presencia a extinção de costumes para uma convivência melhor entre os povos, como por exemplo o respeito, deveria ser o alvo da influência desses praticantes religiosos.
Porém o que me parece mais ocorrente é o inverso. Igrejas cada vez mais empresariais, templos inflados de orgulho, soberba e intolerância. Lobos com suas fantasias de cordeiros imaculados.
Considero a igreja (instituição) um lugar de cura, comunhão e adoração a Deus. Além de ser uma escola de profetas. Sendo um lugar de cura, aqueles que estão enfermos merecem e devem sim ser acolhidos. Logo, todos os membros encontram-se em situação de igualdade, já que todos somos pecadores e sujeitos a erros. Estamos todos em tratamento.
Com isso não vejo razão para homossexuais serem agredidos, mulheres serem envergonhadas, e cidadãos seguidores de outras crenças serem rejeitados. Todos, sem exceção merecemos ser acolhidos e beneficiados pela paz e amor presentes nessa casa.
Devemos então nos pôr como servos e imitadores de Cristo. Levando-os ao caminho da vida, ao bálsamo que cura todas as feridas, a fonte de alegria, príncipe da paz.
Para mim esse é o papel da igreja na sociedade. Ser sal e luz.
Quanto ao meu relacionamento com Deus? Eu não vejo razão alguma para me afastar de uma pessoas tão linda e perfeita como Ele. Ele em qualquer forma e compreensão. Quero mais ser tomado por seu espírito e ser influenciado por seus mandamentos de amor. De modo que possa contribuir com uma sociedade justa, repleta de pessoas que se importem umas com as outras, que valorizem as coisas e momentos simples. Que amem.
Quando a igreja começar a viver o amor de Deus. Então testemunharemos o avivamento da igreja. E amar não quer dizer concordar com o pecado, nem aceitá-lo. pois esse não é o nosso papel. Amar também é apontar o caminho certo, apontado nas escrituras sagradas. Mas aceitando a liberdade de escolha de cada um.
Nenhum comentário:
Postar um comentário