Estive caçando imagens que despertassem em mim desejos - ganho horas com essa mania. Desejos de liberdade, anseio por asas - mesmo que imaginativas. Desejos mais latentes e presentes pelo amor, que esforço-me para ter a cada dia - ser e ter, e já tenho dito isso.
Garimpei essa ilustração lindíssima, que apesar da simplicidade, carrega uma grande verdade: "O amor transforma uma casa num lar."
Imediatamente lembrei de Home do grupo californiano Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, que aliás é uma das minhas músicas favoritas. Por mil motivos, o principal deles é a letra. Uma declaração de amor lindíssima, que poderia se resumir no trecho: " Home is wherever I'm with you."
Ah! O diálogo durante a canção é uma fofura. Vejam o vídeo! O clima no estúdio é delicioso.
Diante dessas graciosidades ligadas ao lar eu trouxe a memória uma nota muita amada por mim.
Que fala justamente sobre a minha casa, a casa dos meus sonhos. Uma moradia sentimental.
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Na minha casa eu quero uma biblioteca,
Com janelas bem abertas, cruzadas pelos raios do sol da terceira estação.
E uma vista para o mundo, grande, propenso a nós.
Quero ter meus livros espalhados, bilhetes já mofados, de amores de verão.
Eu quero ter uma varanda com cheiro de poema infantil, rimas doces e primárias.
E o céu melhor do mundo sendo teto e proteção.
Uma vivenda segura pra qualquer inspiração se sentir em paz.
Livre e dada, a qualquer um.
Um lar, reduto de traquinagens, onde qualquer coisa se torne motivo pra roda, e ciranda.
Quero a chaleira no fogão, e o café no ponto. Extra forte, e ainda assim suave.
E o cheiro invadindo a sala repleta de pufes coloridos, jogados de uma qualquer forma organizada.
Eu quero o Samuel tocando seu violão, ainda que despretensioso, Pedro presente, ainda que seja nos quadros. Quero as meninas conversando sobre luzes, cores e fuxicos.
E seus cachos atrapalhados enredados em mim.
Quero os melhores filmes em exibição – aqueles que são um ótimo motivo para pipoca, chocolate, apertos e cobertores.
E sorrisos marcados como batom em guardanapos.
Quero nossos condões causando vertigem nos vizinhos. Tumultuando o sistema.
E um sistema de ar refrigerado eficiente, que reprima o suor, jamais o calor. Mas que também dê vontade de ficar juntinho.
Quero um quarto com uma cama de casal do tamanho do meu coração – pra caber quem me faz bem. E como de costume, Cássio e Alexandre emaranhados.
Quero uma morada onde meus amigos possam se sentir refugiados, livres da monotonia, do tédio e das tristezas e frustrações que me parecem comum hoje em dia.
Um lugar onde nossos sonhos sejam maior que qualquer lamento.
Quero um pôster da Marilyn no corredor. Flores no banheiro. E o Diego na cozinha fazendo o melhor estrogonofe do mundo – hm!! Salva de palmas!- Quero aquele whisky, caso alguém se fira, eventualmente. E muitas noites desperdiçadas com Esconde-esconde, Bastardos Inglórios...
Quero a Olívia com uma câmera na mão, filmando nossos tons. Roteirizando nosso fascínio.
Fotografias perdidas por dentre os livros, grampeadas em qualquer branco de parede.
Um seio de revoluções, berço para as mais belas criações.
Onde nasçam histórias que dariam filmes, casais que deságuem em lindos filhos. Canteiros de rosas e sambas.
Um hotel para abrigar amigos de longe, parceiros de luta. Aparelhos.
Uma casa, um bar. Para pensarmos aquilo que fomos e nos projetarmos pela eternidade.
Onde o tempo também seja amigo, parte da turma, também remédio.
Quero um quarto para guardar abraços, beijos e conselhos. De maneira que eles permaneçam vivos, lembrados. Mosteiro do nosso amor.
Um guarda-roupa que não comporta minhas roupas, mas que ama aquelas que comprei com a Hannah, em nossa ultima viagem.
Quero gargalhadas que ocupem os corredores.
Quero saraus todas as terças e vigílias às sextas. Orgias à la carte. Lençóis cor de pérola com cheiro de lavanda – como o Cássio gosta.
Quero Chico e os clichês da juventude juntos num altar.
As polaroides que eu tanto gosto expostas na prateleira da sala de estar. E uma parede com os padrões feitos pelas Brunas e pela Letícia.
Quero baús com as palavras de Dalai Lama, as receitas da minha vó e as lembranças de Rimbaud e Lorca.
Relógios inspirados em Dalí. E um estêncil pedindo “Mais amor, por favor.”
Em algum canto, eu sei, vão ter copos meio vazios de cerveja e outros tantos meio cheios de mate.
Eu quero a felicidade minha, a nossa.
E o quintal? Como pude esquecer?!
Quero Tulipas, orquídeas e margaridas – como não?! –
Quero um balanço azul, e outro amarelo.
Uma fonte cercada de mudas de pimenta, enfeitada de moedas e quimeras.
Um lago cristalino, de água pura. E as roupas no varal.
Samambaias.
E saudade.

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